Já dizia Danusa Leão: “Você nunca tem uma segunda chance para causar a primeira impressão”. Mas ela pode ser perfeitamente apagada, dependendo da circunstância. Foi isso que a seleção brasileira fez no Maracanã. Com muita propriedade, diga-se de passagem, como há tempos não se via.
A exibição brasileira não foi daquelas de gala. O início foi bastante tenso. Afinal, a maioria dos titulares nunca havia jogado no maior do mundo vestindo a amarelinha. Não sei se foi a pressão do público da casa – que não via a seleção de perto há dois anos, ou se foi a retranca do adversário. O que pareceu é que, à primeira vista, o jogo seria daqueles mais sofríveis.
Contudo, a partir do primeiro gol de Vagner Love a situação começou a ser mais favorável ao time de Dunga. E melhorou ainda mais no segundo tempo, quando o técnico equatoriano, acreditando no empate, resolve colocar o perigoso atacante Tenório para reforçar o poder de fogo.
Foi a deixa definitiva para o Equador se arriscar num perigoso 4-4-2. E, principalmente, para o Brasil partir ao ataque. Rumo aos gols e a uma vitória jamais sonhada contra um adversário tinhoso nos últimos confrontos. Como escrevi antes no blog, em sete confrontos, quatro haviam terminado apenas pela contagem mínima, já registrada no primeiro tempo.
Com o futebol solto que a seleção jogou na etapa complementar, o 1 a 0 era uma injustiça tremenda. E como o futebol premia quem melhor aproveita as chances criadas, foi a vez do Brasil ampliar a vantagem e consolidar o marcador.
A sintonia entre torcida e time foi quase perfeita. Quando a torcida vaiava, pedia jogo, passavam alguns minutos e acontecia o gol. Foi assim no primeiro gol da seleção. Robinho, melhor em campo, lançou Maicon. Este deu o drible da vaca no zagueiro equatoriano e cruzou para Vagner Love marcar sozinho, sem goleiro, e abrir o placar do jogo.
No segundo tempo, a seleção criava várias oportunidades, mas o Equador estava mais presente no jogo. Com dois atacantes, assustava a defesa e exigia boas defesas do goleiro Júlio César em vários momentos da partida. A instabilidade durou até um chute de fora da área de Kaká. Ronaldo de Assis Moreira, o Gaúcho, desviou e marcou o segundo da seleção.
Pouco depois foi a vez de Kaká de novo, num lindo chute, daqueles que encantam, no melhor estilo Zico. Bola com efeito, uma curva que afasta o goleiro cada vez mais da bola, por mais que ele tente se esticar. Golaço.
O moleque travesso de Madri aprontou das suas. Deixou o zagueiro De La Cruz tontinho da silva com o drible que batizou de dois pra lá, dois pra cá. Numa jogada que lembrou mais o futsal, Robinho foi à linha de fundo, cruzou e Elano, que entrara no lugar de Love minutos antes, fuzilou a meta equatoriana para marcar o quarto da seleção.
Kaká ainda fez mais um. Mas ficou sem graça na comemoração. Culpa do montinho artilheiro do gramado, que fez o goleiro Viteri engolir um frango hercúleo. O quinto, pra fechar a conta e acabar com o estigma do jogo de um gol só.
Não foi um show inesquecível. O segundo tempo foi sensacional, dos melhores nos últimos anos. Mas há que se ser previdente. O caminho ainda é longo. Tomara que a qualidade vista hoje prevaleça daqui em diante. A seleção de Dunga tem que se impor frente aos adversários, como fez contra o Equador no Maracanã. Esse é o caminho do sucesso. Esse será o caminho para a África e, quem sabe, para o hexa.